sábado, 12 de março de 2011

SÃO BACO E SÃO SÉRGIO 2 - Os santos gays

MAIS ALGUNS DETALHES SOBRE A HISTÓRIA DOS MÁRTIRES GAYS QUE A IGREJA CATÓLICA CANONIZOU COMO SANTOS

7 de Outubro - Dia de S. Sergio e S. Baco.
Mártires e Patronos das Uniões Homossexuais.
No começo do século 4 dC, Sergio de Resapha e Baco de Barbalissus - considerados erastai (casal de amantes) - viviam em Coele, Síria. Eram dois importantes nobres romanos que desempenhavam altos cargos no exército do imperador Cesar Maximiano. Sergio de Resapha como primicerius, uma espécie de comandante em chefe da tropa de elite e Bacco de Barbalissus como secundarius, seu auxiliar direto. O grupo que comandavam, composto de bárbaros, era chamado de Schola Gentilium (Escola dos Pagãos).

Acolhimento e tolerância
A homossexualidade de Sergio e Baco não representava nenhum problema. A Igreja católica da época não só recebia bem os gays como os unia em matrimônio. Este acolhimento da igreja foi descrito pelo historiador da Universidade de Yale John
Boswell, autor de inúmeros títulos sobre o assunto, que publicou suas pesquisas sobre os santos no livro "Cristianismo, tolerancia social e homosexualidade" (Ed. Munchnik).

Duplo Martírio
Convertidos ao cristianismo, Sergio e Baco foram denunciados pela recusa de participação nos ritos pagãos. Era tamanho o respeito e estima que Maximiano tinha pelo casal que não acreditou nos informantes. Para testar sua lealdade ordenou que oferecessem sacrifício no templo de Zeus e Júpiter e, quando Sergio e Baco assumiram oficialmente sua fé cristã, a punição foi terrível.

Foram torturados tão severamente com chicotadas que Bacco morreu logo. Sergio sobrevivente da etapa inicial de atrocidades, teve de suportar intensos sofrimentos: correu quilômetros com os sapatos forrados com pregos afiados que lhe atravessavam os pés e, finalmente, foi decapitado. Ambos foram enterrados nos arredores da cidade de Resapah. Anos mais tarde, após a canonização, o Imperador Justiniano construiu em honra de Sergio igrejas em Constantinopla e
Acre. A primeira foi transformada em mesquita e tem em seu interior raros exemplares da arte bizantina.

Em Roma
Construída no século VII, existe em Roma uma igreja consagrada a Sergio e Baco. Os dois santos são representados pela arte cristã como soldados com roupas do exército e empunhando palmas de flores.

Os primeiros martiriológios do cristianismo registram as atrocidades e Teodoreto, respeitado historiador da época, confirma a veneração.
Na Igreja ortodoxa
Aos pés do Monte Sinai (1570 m.) onde, conta a tradição, Moisés recebeu as Tábuas da Lei, encontra-se o Mosteiro Ortodoxo de
Santa Catarina, mandado construir pela Imperatriz Helena de Bizâncio e hoje dirigido por monjes ortodoxos.

A origem do mosteiro remonta ao século IV dC, quando anacoretas perseguidos pelas tribos bárbaras buscavam refúgio nas terras do Sinai. Ali são encontrados ícones de São Sergio e São Baco representados lado a lado, segurando, juntos, uma cruz. São venerados na liturgia bizantina em 7 de outubro. Em fevereiro de 2000, o Papa João Paulo II visitou o local.

Ícones
Os ícones são sinônimo de Arte Sacra Bizantina e estão em todas as Igrejas Ortodoxas espalhadas pelo mundo. A palavra ícone vem do grego EIKÓN e significa imagem. No Oriente Cristão - que não cultua estátuas - é uma imagem pintada sobre madeira, com uma técnica especial.

O Império Romano do Oriente, também chamado Império Bizantino, era formado pela Península balcânica, Ásia Menor, Síria, Egito e Cirenaica, com 20 povos de línguas e raízes diversas. Bizâncio, fundada pelos gregos, tornou-se uma nova Roma e
teve um importantíssimo papel histórico.

Os cidadãos que ali adotavam o cristianismo foram perseguidos por ordem de Diocleciano (284 a 305). O império romano do ocidente sucumbiu aos bárbaros no séc. VI, mas a parte oriental sobreviveu até o séc. XV.

-----------------------------

domingo, 6 de março de 2011

SÃO SÉRGIO E SÃO BACO - OS SANTOS GAYS

Há santos gays? 
Para a história oficial da igreja, 
a pergunta soa como uma 
blasfêmia, 
uma vez que a religião condena 
a homossexualidade. 
Mas há teses de que a igreja 
teve, sim, santos que, 
no seu passado, 
tiveram relações com pessoas 
do mesmo sexo. 
O caso mais famoso é de 
São Sérgio e São Baco, 
que foram mártires no início 
do século 4.
Eles integravam o exército 
do imperador romano 
Maximiano (286-305). 
Era um casal gay respeitado 
pela própria igreja, 
segundo o polêmico e 
premiado livro 
"Cristianismo, Tolerância 
Social e Homossexualidade", 
publicado em 1980 por 
John Boswell (1947-1994), 
historiador da Universidade 
de Yale (EUA).
Defensores da igreja 
acusaram Boswell de forçar 
a barra em seus estudos sobre 
os arquivos históricos da igreja. 
O livro era visto como 
panfletário, ou seja, 
interessava à militância 
homossexual forjar santos gays. 
Quem apoiou o historiador dizia 
que a igreja adulterou os 
arquivos antigos para esconder 
registros sobre a 
homossexualidade dos dois.
O fato é que 
São Sérgio e São Baco 
viraram ícones do movimento gay, 
inspirando artistas. 
Suas imagens servem à defesa 
da união civil entre pessoas do 
mesmo sexo, 
cujas cerimônias são seladas 
com a leitura de uma oração 
que cita os dos dois santos. 
Eles têm até um dia: 7 de outubro.


No começo do século IV, 
na região onde atualmente 
fica a Síria, 
viviam Sérgio de Resapha 
e Baco de Barbalistus, 
considerados um casal 
de amantes. 
Nobres romanos, 
eles tinham altos cargos no exercito do 
imperador César Maximiliano, 
quando então se converteram e se 
tornaram cristãos. 
Entretanto, como o cristianismo era considerado 
uma seita perigosa, 
eles foram denunciados, presos e torturados 
brutalmente para abjurarem a fé cristã 
e voltarem aos deuses romanos. 
Baco morreu logo, mas Sérgio teve de suportar 
intensos sofrimentos ate ser, 
finalmente, decapitado.


O fato de formarem um casal, contudo, 
não representava um problema. 
Segundo Boswell, 
não só a Igreja Católica da 
época acolhia bem os homossexuais 
como também celebrava casamentos entre eles, 
o que perdurou até o século XV.

Igreja de São Sérgio e São Baco, Istambul
Na oração de bênção utilizada na cerimônia são citados os apóstolos Felipe e Bartolomeu, acrescentando outra evidencia à forte tradição (ou lenda), que existe desde o inicio do cristianismo, segundo o qual eles formavam um casal.
Eis a transcrição da oração:

“Ó Senhor, nosso Deus e governante, que fizeste a humanidade à Sua imagem e semelhança, e lhe destes o poder da vida eterna que aprovastes quando seus santos e apóstolos Felipe e Bartolomeu se uniram, juntos em par, pela lei da natureza e pela comunhão do Espirito Santo, e que também aprovastes a união dos seus santos, mártires, Sérgio e Baco, benditos também a estes servidores (…), unidos em casal pela natureza e pela fidelidade. Permita, Senhor, que eles amem um ao outro, sem ódio, e possam continuar juntos sem causar escândalo, todos os dias de suas vidas, com ajuda da Santa Mãe de Deus e de todos os seus Santos, porque Tu és o poder e o reino e a gloria, Pai, Filho e Espírito Santo”.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

HOMOSSEXUALIDADE É DOENÇA?

As instituições internacionais de saúde, em especial, a OMS (Organização Mundial da Saúde), um órgão da ONU, localizado em Genebra (Suíça) afirmam que gostar, sexualmente e afetivamente, de pessoas do mesmo sexo, não é doença!


Dentro da sexualidade humana a homossexualidade, hoje, é vista como uma possibilidade de 
envolvimento afetivo; como uma possibilidade de prática sexual, de satisfação física; como um possível estilo de vida entre as pessoas (homens com homens ou mulheres com mulheres).
Portanto, a homossexualidade é uma das possibilidades que a espécie humana encontra de expressão e direcionamento do desejo e da atração erótica.


Essa atração erótica, esse desejo e esse envolvimento afetivo:


1. quando direcionados para pessoas do sexo oposto (homens e mulheres), é chamada de HETEROsexualidade (hetero = diferente);

2. quando pessoas do mesmo sexo se atraem, denominamos essa relação de HOMOsexualidade (homo=igual, o mesmo que);

3. quando a atração, o desejo e o afeto podem ser expressadas a pessoas dos dois sexos, denominamos de BIsexualidade (BI = dois).


Ninguém precisa se sentir mal com o fato de se perceber atraído por pessoas do mesmo sexo ... Essa sensação de desconforto só acontece porque aprendemos que esta forma de relacionamento não é positiva ... não é "normal". Esse sentimento negativo, frente a homossexualidade, é muito mais uma idéia da nossa cultura ... do nosso meio social, do que, propriamente, uma sensação pessoal.


Quero dizer com isso que, os gays e lésbicas, não tem qualquer dúvida que só serão sexual e afetivamente felizes, 
se viverem juntos de pessoas do mesmo sexo. 

O sentimento de tristeza ... de rejeição e de infelicidade, não é oriundo da condição de "ser homossexual" ... 

mas sim, de viver nesta sociedade preconceituosa e intolerante.


POR QUE A HOMOSSEEXALIDADE É CONSIDERADA RUIM?


Consideramos a homossexualidade algo ruim, porque aprendemos que o único padrão de envolvimento afetivo e sexual permitido pela cultura é aquele que envolve um homem e uma mulher. 

Essa idéia tem uma lógica: 
ela está baseada na visão de 
uma sexualidade reprodutiva; 
está respaldada por uma visão 
restrita de família constituída 
por um homem e uma mulher; 
está convenientemente 
camuflada pelo ocultação 
do afeto, 
da busca pelo companheirismo, 
da conjugalidade como 
fatores fundamentais para a felicidade 
das pessoas e que 
pode estar presente 
no envolvimento 
entre pessoas do 
mesmo sexo; 
e, por fim, 
está baseada na 
construção histórica 
da homossexualidade 
como doença 
(conceito superado, 

nos dias de hoje).


A homossexualidade sempre existiu no comportamento sexual humano. 

No entanto, sempre foi, ideologicamente excluída da sexualidade dita normal. 

Mesmo a humanidade tendo sua história de repressão contra essa prática, mesmo que a sociedade conservadora tenha sempre dito que é anormal, as pessoas continuam a sentir a atração e o 
desejo erótico por pessoas do mesmo sexo!!!

Talvez, esteja na hora da sociedade mudar o significado e o conceito negativo afetiva e sexual, encarando-a como uma possibilidade da sexualidade humana se expressar.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A HOMOSSEXUALIDADE NA GRÉCIA ANTIGA

Antes de nos aprofundarmos no tema em questão, faz-se necessário definir o que significa homossexualidade. Recorrendo ao dicionário Aurélio da Língua Portuguesa encontramos homossexual como relativo à afinidade, atração e/ou comportamento sexuais entre indivíduos do mesmo sexo. No entanto, a palavra homossexual é originária do século XIX a partir do grego homo (igual) e do latim sexus. 
Com isso enfatizamos que na Grécia Antiga tal expressão inexistia.

Encontramos a pederastia, que para os gregos era o amor de um homem (geralmente com idade acima de trinta anos) por um adolescente (entre os quatorze e dezesseis anos). A relação sexual entre pessoas adultas do mesmo sexo não era comum e, quando ocorria, era reprovada, 
principalmente entre dois homens, pois havia a preocupação com a questão da passividade. Um homem não podia ter complacências passivas com outro homem, muito menos se este fosse um escravo ou de classe inferior.

A prática da homossexualidade dentro do contexto da pederastia não era excludente. Ou seja, o fato do homem ter sua esposa não era impedimento para que se relacionasse com um adolescente. E nem o fato de se relacionar com o adolescente significava o fim do seu casamento. A pederastia dificilmente alterava a imagem do homem perante a sociedade, pois o amor ao belo, ao sublime e o cultivo da inteligência e da cultura não tinha sexo. Condenável era a busca do sexo pelo sexo.

 
Além do componente etário, a relação de pederastia incluía a questão do status social, nesse sentido o homem deveria ter ascendência intelectual, cultural e econômica sobre o adolescente. Afinal, ele complementaria a formação do jovem, iniciando-o nas artes do amor, no estudo da filosofia e da moral.

Havia toda uma ritualização envolvendo a aproximação do homem que estivesse interessado por um adolescente. 
A “corte” era necessária para que a relação tivesse o caráter de bela e moralmente aceita. Os papéis nesse caso eram bem definidos, o homem (erastes) fazia a corte e o adolescente (erômeno) era o cortejado, podendo deixar-se conquistar ou não.

O homem, ao cortejar, presenteava, prestava favores, ia ao ginásio ver o adolescente se exercitar (e geralmente se exercitava nu) e praticava com ele os exercícios físicos até a exaustão, uma vez que não possuía o mesmo vigor físico da juventude. O adolescente, por sua vez, deveria ser gentil e ao mesmo tempo por à prova o amor do pretendente. A conquista era incerta, pois caberia ao jovem a palavra final.

Quando deveria acabar a relação de pederastia? Tão logo aparecesse no adolescente os primeiros sinais de virilidade, a primeira barba, que por volta dos 17 ou 18 anos já era evidente. Permanecer nessa relação após o advento da virilidade era reprovável, principalmente para o homem, já que estaria se envolvendo com outro homem.

A relação entre pessoas do mesmo sexo teve lugar também em Esparta, porém com um sentido um pouco diferente da vista em Atenas. Além das relações de pederastia, eram estimuladas as relações entre os componentes do exército espartano e tinha por objetivo torná-lo mais forte. 
O que levava 
os comandantes 
do exército 
a estimular 
esse tipo de 
relação era o 
fato de 
acreditarem que 
um amante, 
além de 
lutar, 
jamais 
abandonaria 
outro amante 
no campo 
de batalha. 

O Batalhão 
Sagrado de 
Tebas, 
famoso por 
suas vitórias, 
era 
formado 
totalmente 
por 
pares homossexuais.



A homossexualidade feminina também teve seu lugar na Grécia Antiga. E, embora a mulher não ocupasse lugar de destaque e, por isso, a escassez de registros, é da antigüidade grega que provém o termo lésbica, para indicar a mulher homossexual.



Lesbos é o nome da ilha onde viveu Safo, a famosa poetisa, que não escondia sua preferência sexual pelo mesmo sexo.



E, já que citamos Safo, vale nomear outros nomes conhecidos. Zeus, o deus grego, enamorou-se de tal forma pelo jovem Ganimedes, tal era sua beleza, que o levou para o Olimpo.





Teseu seduziu não apenas donzelas no labirinto, mas também os monstros. 

Os filósofos Sócrates e Platão, e o legislador Sólon foram pederastas no sentido aqui explicitado.



Na Grécia Antiga, as relações entre homens, que hoje nomeamos de homossexualismo, eram quase sempre orientadas para finalidades específicas e ultrapassavam a simples busca do prazer sexual. 
A pederastia visava a formação do jovem, tanto em Esparta quanto em Atenas. No exército espartano o amor entre soldados fortalecia o exército. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação com uma mulher, no presente ou no futuro. É com o advento do cristianismo que essas relações passam a ser vistas como pecaminosas.