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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ALEXANDRE [O GRANDE] E SEUS AMANTES



ALEXANDRE
Embora seu verdadeiro título fosse Alexandre III da Macedônia, ele se tornou mais conhecido pelo apelido Alexandre o Grande, as vezes também chamado Alexandre o Magno, entrando para a História como o maior conquistador de todos os tempos.
Alexandre nasceu em 20 de julho de 356 a.C., era um dos 3 filhos do rei Filipe II e de Olímpia do Épiro, uma fiel mística e ardente seguidora do deus grego Dioniso, e faleceu em 10 de junho de 323 a.C., na Babilônia.
Em sua juventude, teve como preceptor o filósofo Aristóteles. Aos 20 anos apenas, tornou-se rei da Macedônia, na sequência do assassinato do seu pai. A sua carreira é sobejamente conhecida: conquistou um império que ia dos Balcãs à Índia, incluindo também o Egito e a Báctria (aproximadamente o atual Afeganistão). Este império era o maior e mais rico que já tinha existido.
Existem várias razões para esses grandes êxitos militares, um deles é que Alexandre era um general de extraordinária habilidade e sagacidade, talvez o melhor de todos os tempos, pois ele nunca perdeu nenhuma batalha e a expansão territorial que ele proporcionou é uma das maiores da história, a maior expansão territorial em um período bem curto de tempo. Além disso era um homem de muita coragem pessoal e de reconhecida sorte.
ALEXANDRE
Ele herdou um reino que fora organizado com punho de ferro pelo pai, que tivera de lutar contra uma nobreza turbulenta que frequentemente reclamava por mais privilégios, as ligas lideradas por Atenas, e Tebas (a batalha de Queroneia representa o fim da democracia ateniense e por arrastamento das outras cidades gregas e de uma certa concepção de liberdade), revolucionando a arte da guerra.
A sua personalidade é considerada de formas diferentes segundo a percepção de quem o examina: por um lado é visto como um homem de visão, extremamente inteligente, tentando criar uma síntese entre o oriente e ocidente, encorajando inclusive, para isso, o casamento entre oficiais seus e mulheres persas, além de utilizar persas ao seu serviço. Ficou conhecido também pelo repEito e dignidade com que tratava o povo das cidades que conquistava, acolheu bem a família de Dario III e permitiu às cidades dominadas a manutenção de governantes, religião, língua e costumes. Era também admirador das ciências e das artes e fundou, entre algumas dezenas de cidades homônimas, Alexandria, que viria a se tornar o maior centro cultural, científico e econômico da Antiguidade por mais de trezentos anos, até ser substituída por Roma.
Por outro lado, Alexandre era também profundamente instável e muitas vezes agia de forma sanguinária, como por exemplo quando destruiu as cidades de Tebas e Persepólis e quando assassinou Parménio, o seu melhor general.
BAGOAS
São muitos os feitos históricos desse personagem, vilão para alguns e para outros um grande herói, e seria por demais longo descrever a todos. Teve pelo menos duas esposas, Roxana, filha de um nobre pouco importante, e a princesa persa Statira II, filha de Dario III da Pérsia. O filho que teve de Roxana, Alexandre IV da Macedônia, morreu antes de chegar à idade adulta.
Seu casamento com Statira tinha claramente intenções políticas, na verdade era uma estratégia para conquistar a fidelidade e a simpatia do povo persa, que ele já havia conquistado militarmente; já seu envolvimento com Roxana tornou-se célebre, ficando conhecida como uma das grandes histórias de amor de todos os tempos, mas a verdade não era bem essa.
FRANCISCO BOSCH COMO 
BAGOAS NO FILME "ALEXANDRE"
É muito conhecida a paixão que Alexandre nutriu pelo eunuco Bagoas [Bagoi no idioma persa antigo], que foi um de seus cortesãos e amantes favoritos. Destinado desde menino a ser eunuco, Bagoas foi castrado, escravizado e feminilizado pelos exércitos do rei persa Dario III, e, apesar de casado com a filha de Dario, na verdade era Bagoas a quem Alexandre mais comumente "procurava" e normalmente dividia seu leito. 
COLIN FARRELL E FRANCISCO BOSCHCOMO 
BGAGOAS E ALEXANDRE

Foi na verdade por causa de Bagoas a atitude de Alexandre em relação ao persas e sua decisão política de tentar integrar completamente os povos conquistados ao seu império ao invés de simplesmente massacrá-los e dominá-los, levando-o inclusive, para esse fim, ao casamento com a princesa Statira.
Mas apesar de sua grande paixão pelo eunuco, ainda não foi Bagoas o verdadeiro grande amor de Alexandre, esse mérito pertence a Heféstion, seu amigo de infância e seu principal e mais importante colaborador em suas conquistas ao longo de seus doze anos de constantes campanhas militares.
COLIN FARRELL E JARED LETO
NO FILME ALEXANDRE
COMO ALEXANDRE E HEFÉSTION
O historiador Arriano de Nicomédia, uma das mais respeitadas fontes sobre Alexandre, escreveu que Heféstion foi a pessoa a quem Alexandre mais amou em toda sua vida.
Era muito comum na antiguidade o envolvimento entre homens, o que não impedia que eles casassem e constituíssem família, isso era normal na cultura de muitos povos antigos, em especial os gregos, houve mesmo um período em que a união entre homens era considerada a única realmente pura, enquanto a ligação com mulheres era com fins unicamente procriativos.
Heféstion Amintoros, nascido em 356 a.C. e falecido em 324 a.C., era filho de Amíntor, um nobre da Macedônia. Foi educado juntamente com Alexandre e teve também como seu professor o filósofo Aristóteles. Sabe-se que, entre os trabalhos do filósofo, há um livro perdido de cartas a Heféstion.
Ele foi vice-comandante do exército de Alexandre, seu grande amigo e "companheiro" de toda a vida. Acompanhou Alexandre na sua campanha asiática desde o princípio, combatendo como general na cavalaria de elite. Quando passaram pela cidade de Tróia (hoje, na Turquia), Alexandre foi honrar a sagrada tumba do herói Aquiles, levando Heféstion consigo para honrar a de Pátroclo (no século V a.C. criou-se o mito que esses dois heróis da Ilíada foram amantes, embora Homero nada tenha deixado explícito).
Como já foi dito acima, no mundo grego a homossexualidade masculina era vista com total normalidade e, com esse gesto, Alexandre deixou transparecer perante todo o Exército a verdadeira natureza da relação que ambos compartilhavam .
JARED LETO COMO HEFÉSTION
Após a batalha de Gaugamela (norte da Mesopotâmia), os dois foram inspecionar a tenda da família real. Um dos episódios mais conhecidos sobre Heféstion foi quando ambos conheceram Estatira e Sisigambis, respectivamente filha e mulher do rei Dario. Segundo o historiador Cúrcio Rufo, a rainha mãe olhou para os dois homens mas prostrou-se perante Heféstion, que era mais alto e bonito e, segundo a lógica persa, quem mais chamava a atenção era o rei. Ao ser alertada pelo seu engano, ia prostrar-se novamente perante a Alexandre, mas este a levantou e a corrigiu dizendo: "Não te preocupes rainha mãe, não cometeste erro nenhum. Ele também é Alexandre".
Por ser um dos poucos em quem Alexandre confiava, além de sua autoridade militar, também recebeu amplos poderes políticos. Antes da invasão da Índia e cruzar o Hindu Kush, no atual Afeganistão, Alexandre o nomeou ministro, reconhecendo como segundo homem do seu reino. Quando Alexandre casou-se com a princesa Estatira da Pérsia, filha do rei Dario, deu a Heféstion por esposa a jovem princesa Dripetis, de modo que passaram a ser cunhados.
COLIN FARRELL COMO ALEXANDRE
No outono de 324 a.C., no retorno após terem conquistado o Vale do Indo, quando o exército macedônio se estabelecia em Ecbátana para passar o inverno, Heféstion caiu doente e não se adaptou à dieta rígida. Desconsiderou as prescrições médicas, comeu frango assado, bebeu vinho arrefecido e morreu. Os sintomas apontaram febre tifoide, mas suspeitou-se de envenenamento. Independente da causa de sua morte, os historiadores dizem que Alexandre ficou louco de dor, cortando os próprios cabelos e as crinas dos cavalos do exército, mandou crucificar Glaucias, o médico que havia atendido Heféstion. Até os toques de flautas ficaram proibidos no acampamento. Após massacrar a revoltosa tribo dos Cosseanos, numa contenda intitulada Sacrifício Fúnebre de Heféstion, Alexandre celebrou fabulosos jogos funerais em sua homenagem e determinou que se deveria adorar Heféstion como um herói divino. Guardou um luto rígido durante meses e, pouco tempo depois, ainda estava construindo um esplêndido monumento funerário em honra ao amigo, quando o próprio Alexandre, então na babilônia, veio a falecer.
Muitos dos fatos históricos da antiguidade nunca foram plenamente eclarecidos devido à falta ou carência de documentação e registros escritos, muitos deles perdidos ao longo do tempo.
Os célebres incêndios das bibliotecas de Alexandria, da Babilônia e de Roma consumiram muitos desses registros, outros foram intencionalmente destruídos no princípio da era cristã com o intuito de esconder determinadas verdades; e a morte de Alexandre é um desses fatos dos quais não se tem certeza absoluta de como realmente aconteceu, mas malária, envenenamento, febre tifóide e encefalite virótica são algumas das possíveis causas.
Há quem defenda que o que levou o grande conquistador a morte foi o fato de jamais superar a perda de Heféstion pouco menos de um ano antes, levando-o ao alcoolismo extremo, outra provável causa da sua morte. No caso de envenenamento ser a alternativa correta, ainda paira a dúvida se Alexandre teria sido envenenado por terceiros ou se na verdade envenenou a si mesmo, cometendo suicídio no desespero da dor insuportável pela morte de Heféstion.

domingo, 6 de março de 2011

SÃO SÉRGIO E SÃO BACO - OS SANTOS GAYS

Há santos gays? 
Para a história oficial da igreja, 
a pergunta soa como uma 
blasfêmia, 
uma vez que a religião condena 
a homossexualidade. 
Mas há teses de que a igreja 
teve, sim, santos que, 
no seu passado, 
tiveram relações com pessoas 
do mesmo sexo. 
O caso mais famoso é de 
São Sérgio e São Baco, 
que foram mártires no início 
do século 4.
Eles integravam o exército 
do imperador romano 
Maximiano (286-305). 
Era um casal gay respeitado 
pela própria igreja, 
segundo o polêmico e 
premiado livro 
"Cristianismo, Tolerância 
Social e Homossexualidade", 
publicado em 1980 por 
John Boswell (1947-1994), 
historiador da Universidade 
de Yale (EUA).
Defensores da igreja 
acusaram Boswell de forçar 
a barra em seus estudos sobre 
os arquivos históricos da igreja. 
O livro era visto como 
panfletário, ou seja, 
interessava à militância 
homossexual forjar santos gays. 
Quem apoiou o historiador dizia 
que a igreja adulterou os 
arquivos antigos para esconder 
registros sobre a 
homossexualidade dos dois.
O fato é que 
São Sérgio e São Baco 
viraram ícones do movimento gay, 
inspirando artistas. 
Suas imagens servem à defesa 
da união civil entre pessoas do 
mesmo sexo, 
cujas cerimônias são seladas 
com a leitura de uma oração 
que cita os dos dois santos. 
Eles têm até um dia: 7 de outubro.


No começo do século IV, 
na região onde atualmente 
fica a Síria, 
viviam Sérgio de Resapha 
e Baco de Barbalistus, 
considerados um casal 
de amantes. 
Nobres romanos, 
eles tinham altos cargos no exercito do 
imperador César Maximiliano, 
quando então se converteram e se 
tornaram cristãos. 
Entretanto, como o cristianismo era considerado 
uma seita perigosa, 
eles foram denunciados, presos e torturados 
brutalmente para abjurarem a fé cristã 
e voltarem aos deuses romanos. 
Baco morreu logo, mas Sérgio teve de suportar 
intensos sofrimentos ate ser, 
finalmente, decapitado.


O fato de formarem um casal, contudo, 
não representava um problema. 
Segundo Boswell, 
não só a Igreja Católica da 
época acolhia bem os homossexuais 
como também celebrava casamentos entre eles, 
o que perdurou até o século XV.

Igreja de São Sérgio e São Baco, Istambul
Na oração de bênção utilizada na cerimônia são citados os apóstolos Felipe e Bartolomeu, acrescentando outra evidencia à forte tradição (ou lenda), que existe desde o inicio do cristianismo, segundo o qual eles formavam um casal.
Eis a transcrição da oração:

“Ó Senhor, nosso Deus e governante, que fizeste a humanidade à Sua imagem e semelhança, e lhe destes o poder da vida eterna que aprovastes quando seus santos e apóstolos Felipe e Bartolomeu se uniram, juntos em par, pela lei da natureza e pela comunhão do Espirito Santo, e que também aprovastes a união dos seus santos, mártires, Sérgio e Baco, benditos também a estes servidores (…), unidos em casal pela natureza e pela fidelidade. Permita, Senhor, que eles amem um ao outro, sem ódio, e possam continuar juntos sem causar escândalo, todos os dias de suas vidas, com ajuda da Santa Mãe de Deus e de todos os seus Santos, porque Tu és o poder e o reino e a gloria, Pai, Filho e Espírito Santo”.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A HOMOSSEXUALIDADE NA GRÉCIA ANTIGA

Antes de nos aprofundarmos no tema em questão, faz-se necessário definir o que significa homossexualidade. Recorrendo ao dicionário Aurélio da Língua Portuguesa encontramos homossexual como relativo à afinidade, atração e/ou comportamento sexuais entre indivíduos do mesmo sexo. No entanto, a palavra homossexual é originária do século XIX a partir do grego homo (igual) e do latim sexus. 
Com isso enfatizamos que na Grécia Antiga tal expressão inexistia.

Encontramos a pederastia, que para os gregos era o amor de um homem (geralmente com idade acima de trinta anos) por um adolescente (entre os quatorze e dezesseis anos). A relação sexual entre pessoas adultas do mesmo sexo não era comum e, quando ocorria, era reprovada, 
principalmente entre dois homens, pois havia a preocupação com a questão da passividade. Um homem não podia ter complacências passivas com outro homem, muito menos se este fosse um escravo ou de classe inferior.

A prática da homossexualidade dentro do contexto da pederastia não era excludente. Ou seja, o fato do homem ter sua esposa não era impedimento para que se relacionasse com um adolescente. E nem o fato de se relacionar com o adolescente significava o fim do seu casamento. A pederastia dificilmente alterava a imagem do homem perante a sociedade, pois o amor ao belo, ao sublime e o cultivo da inteligência e da cultura não tinha sexo. Condenável era a busca do sexo pelo sexo.

 
Além do componente etário, a relação de pederastia incluía a questão do status social, nesse sentido o homem deveria ter ascendência intelectual, cultural e econômica sobre o adolescente. Afinal, ele complementaria a formação do jovem, iniciando-o nas artes do amor, no estudo da filosofia e da moral.

Havia toda uma ritualização envolvendo a aproximação do homem que estivesse interessado por um adolescente. 
A “corte” era necessária para que a relação tivesse o caráter de bela e moralmente aceita. Os papéis nesse caso eram bem definidos, o homem (erastes) fazia a corte e o adolescente (erômeno) era o cortejado, podendo deixar-se conquistar ou não.

O homem, ao cortejar, presenteava, prestava favores, ia ao ginásio ver o adolescente se exercitar (e geralmente se exercitava nu) e praticava com ele os exercícios físicos até a exaustão, uma vez que não possuía o mesmo vigor físico da juventude. O adolescente, por sua vez, deveria ser gentil e ao mesmo tempo por à prova o amor do pretendente. A conquista era incerta, pois caberia ao jovem a palavra final.

Quando deveria acabar a relação de pederastia? Tão logo aparecesse no adolescente os primeiros sinais de virilidade, a primeira barba, que por volta dos 17 ou 18 anos já era evidente. Permanecer nessa relação após o advento da virilidade era reprovável, principalmente para o homem, já que estaria se envolvendo com outro homem.

A relação entre pessoas do mesmo sexo teve lugar também em Esparta, porém com um sentido um pouco diferente da vista em Atenas. Além das relações de pederastia, eram estimuladas as relações entre os componentes do exército espartano e tinha por objetivo torná-lo mais forte. 
O que levava 
os comandantes 
do exército 
a estimular 
esse tipo de 
relação era o 
fato de 
acreditarem que 
um amante, 
além de 
lutar, 
jamais 
abandonaria 
outro amante 
no campo 
de batalha. 

O Batalhão 
Sagrado de 
Tebas, 
famoso por 
suas vitórias, 
era 
formado 
totalmente 
por 
pares homossexuais.



A homossexualidade feminina também teve seu lugar na Grécia Antiga. E, embora a mulher não ocupasse lugar de destaque e, por isso, a escassez de registros, é da antigüidade grega que provém o termo lésbica, para indicar a mulher homossexual.



Lesbos é o nome da ilha onde viveu Safo, a famosa poetisa, que não escondia sua preferência sexual pelo mesmo sexo.



E, já que citamos Safo, vale nomear outros nomes conhecidos. Zeus, o deus grego, enamorou-se de tal forma pelo jovem Ganimedes, tal era sua beleza, que o levou para o Olimpo.





Teseu seduziu não apenas donzelas no labirinto, mas também os monstros. 

Os filósofos Sócrates e Platão, e o legislador Sólon foram pederastas no sentido aqui explicitado.



Na Grécia Antiga, as relações entre homens, que hoje nomeamos de homossexualismo, eram quase sempre orientadas para finalidades específicas e ultrapassavam a simples busca do prazer sexual. 
A pederastia visava a formação do jovem, tanto em Esparta quanto em Atenas. No exército espartano o amor entre soldados fortalecia o exército. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação com uma mulher, no presente ou no futuro. É com o advento do cristianismo que essas relações passam a ser vistas como pecaminosas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

HOMOEROTISMO VI - APOLO, O DEUS DO SOL DA MITOLOGIA GREGA, E JACINTO, SEU JOVEM AMANTE MORTAL

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EMBORA NA ÉPOCA NÃO FOSSEM CONSIDERADAS COMO HOMOERÓTICAS, SEM DÚVIDA A ANTIGUIDADE NOS DEIXOU BELAS E VALIOSAS OBRAS, MUITAS DELAS CHEIAS DE SEDUÇÃO E APELO SEXUAL. ERA MUITO COMUM QUE AS ESCULTURAS REPRESENTASSEM, DEUSES, HERÓIS E OUTROS PERSONAGENS MITOLÓGICOS NUS OU SEMINÚS, ESPECIALMENTE OS HOMENS, EMBORA TAMBÉM DEUSAS FOSSEM REPRESETADAS ASSIM, NEM TODAS ELAS O ERAM. ATÉ MESMO PERSONAGENS HISTÓRICOS E CIDADÃOS PROEMINENTES ERAM ESCULPIDOS DA MESMA FORMA. ERA BASTANTE COMUM ENTRE ELES, E ATÉ MESMO MUITO NATURAL, O ENVOLVIMENTO ENTRE HOMENS. PRA COMEÇO DE CONVERSA, A SOCIEDADE GREGA NÃO DISCRIMINAVA A HOMOSSEXUALIDADE... NÃO DISCRIMINAVANA E NEM "INDISCRIMINAVA" TAMBÉM, POIS, NA REALIDADE, ESSE CONCEITO DE HOMOSSEXUALIDADE NEM SEQUER EXISTIA ENTRE ELES. TODOS OS GRANDES HOMENS TINHAM, ALÉM DE ESPOSAS E FAMÍLIAS, UM JOVEM AMANTE, ISSO LHES CONFERIA STATUS E ATÉ MESMO CERTA RESPEITABILIDADE. ERA NORMAL E ESPERADO QUE UM SENHOR ABASTADO TOMASSE AOS SEUS CUIDADOS UM JOVEM PUPILO. CONTUDO, SE ESSE ENVOLVIMENTO ACONTECE ENTRE HOMENS DA MESMA FAIXA ETÁRIA, DOIS JOVENS OU DOIS SENHORES, ISSO NÃO ERA BEM VISTO PELA SOCIEDADE. NESSA ÉPOCA, AS MULHERES SIM É QUE ERAM EXTREMAMENTE DISCRIMINADAS E TIDAS COMO FRACAS E IMPURAS... NÃO SE VIAM HOMENS VIVENDO MARITALMENTE, COMO SE FOSSEM DE FATO UM CASAL, OS JOVENS AMANTES ERAM ÁS VEZES AGREGADOS DA FAMÍLIA, QUE ERA CONSIDERADA SAGRADA, ATÉ POR CAUSA DA QUESTÃO DA PROCRIAÇÃO, MAS EM DETERMINADA ÉPOCA, CHEGOU-SE MESMO A JULGAR QUE SOMENTE O AMOR ENTRE DOIS HOMENS ERA REALMENTE PURO. PODE PARECER UMA SOCIEDADE PROMÍSCUA, MAS NA VERDADE NÃO O ERA, A PROMISCUIDADE ERA UMA CARACTERÍSTICA ROMANA, JÁ NA PERÍODO DE DECADÊNCIA DO GRANDE IMPÉRIO. OS GREGOS TINHAM SUAS FAMÍLIAS, SUAS ESPOSAS PARA PROCRIAR, E SEUS JOVENS AMANTES, NADA ALÉM DISSO. A PROMISCUIDADE E A TROCA CONSTANTE DE PARCEIROS, NÃO ERA TOLERADA, E QUEM O PRATICAVA, ESSE SIM QUE ERA CONSIDERADO COMO "EFEMINADO", AINDA QUE SUAS AMANTES FOSSEM MULHERES, POIS QUEM ASSIM AGIA ERA VISTO COMO UM HOMEM FRACO, QUE SE ENTREGAVA AOS PRAZERES DA CARNE E DO AMOR, CARACTERÍSTICA ESSA QUE ERA PERTINENTE ÀS MULHERES. MESMO ENTRE OS DEUSES, MUITAS LENDAS RELATAM ENVOLVIMENTOS AMOROSOS COM HOMENS MORTAIS, MAS ESTRANHAMENTE, OU DE ACORDO COM OS COSTUMES DA ÉPOCA, ESSES DEUSES ENVOLVIAM-SE SEMPRE COM MULHERES, SENDO O AMANTE MASCULINO EM GERAL TENDO SIDO UM SÓ, OU SEJA, AQUELE AMOR PURO E VERDADEIRO DE QUE JÁ FALEI. A MAIS CONHECIDA LENDA É A DE APOLO E JACINTO. APOLO É CONSIDERADO COMO O FILHO FAVORITO DE ZEUS E SEU SUCESSOR AO TRONO, ELE É O DEUS DO SOL, DA BELEZA MASCULINA, DA VIRILIDADE, DA MÚSICA, DA MEDICINA E DA AGRICULTURA. TEVE INÚMEROS ENLACES AMOROSOS COM MULHERES MORTAIS, COM AS QUAIS TEVE INÚMEROS FILHOS, NÃO TANTOS FILHOS NEM TANTAS AMANTES COMO SEU PAI, É VERDADE, NINGUÉM JAMAIS SUPEROU ZEUS EM EM SEU PODER DE SEDUÇÃO E SEU GOSTO PELAS MULHERES MORTAIS. MAS O GRANDE AMOR DE APOLO, AQUELE A QUEM ELE MAIS SE DEDICOU E ENTREGOU, ERA UM JOVEM MORTAL DE NOME JACINTO. OS DOIS ERAM INSEPARÁVEIS. JACINTO MUITAS VEZES É RETRATADO COMO MUITO JOVEM REALMENTE, AINDA IMPÚBERE, SEGUNDO ALGUNS AUTORES E HISTORIADORES, QUASE INFANTIL (OUTRA CONFIRMAÇÃO DOS COSTUMES DA SOCIEDADE: O HOMEM MAIS VELHO E SEU JOVEM PROTEGIDO E AMANTE). MAS A BELEZA DE JACINTO TAMBÉM FOI SUA DESGRAÇA, NÃO DESPERTOU SOMENTE A PAIXÃO DE APOLO, TAMBÉM ZÉFIRO, O VENTO SUL (OU SERÁ O VENTO NORTE?, SEMPRE CONFUNDO OS NOMES DOS VENTOS. TALVEZ SEJA O VENTO LESTE), CAIU DE AMORES POR ELE. EM VÃO, TODAVIA, POIS JACINTO E APOLO SÓ TINHAM OLHOS UM PARA O OUTRO. CERTO DIA, QUANDO JACINTO E APOLO BRINCAVAM NO CAMPO DE LANÇAR O DISCO, ZÉFIRO, FERIDO DE CIÚMES E SENTINDO-SE DESPREZADO POR JACINTO, SOPROU COM TODA FORÇA E DESVIOU O DISCO ARREMESSADO POR APOLO QUE ACABOU ATINGINDO JACINTO NA FRONTE. SEGUNDO ALGUMAS VERSÕES, ELE CAIU MORTO DE IMEDIATO, JÁ DE ACORDO COM OUTROS NARRADORES, AINDA EXALOU SEU ÚLTIMO SUSPIRO NOS BRAÇOS DE APOLO. INCONSOLÁVEL COM A MORTE DE SEU COMPANHEIRO, NÃO SÓ PELA DOR DA PERDA, MAS TAMBÉM POR SABER QUE SUA MORTE FÔRA CAUSADA PELO DISCO QUE ELE MESMO LANÇARA, DIZEM TAMBÉM ALGUMAS VERSÕES, QUE APÓS ESSSE EVENTO APOLO PASSOU UM BOM TEMPO ISOLADO DA CONVIVÊNCIA NÃO SÓ COM OS MORTAIS, COMO ATÉ MESMO COM OUTROS DEUSES, RECOLHENDO-SE À CLAUSURA ATÉ QUE SUA DOR PASSASSE. PARA QUE SEU JOVEM AMANTE JAMAIS FOSSE ESQUECIDO, APOLO TRANSFORMOU SEU CORPO SEM VIDA NUMA PLANTA, QUE FLORESCE TODOS OS ANOS NA MESMA ÉPOCA DE SEU FALECIMENTO, E QUE É A FLOR CONHECIDA ATÉ HOJE PELO NOME DE QUEM LHE DEU ORIGEM, O JACINTO.